Guia · Onboarding

Onboarding de 90 dias: guia e checklist

A contratação não termina no aceite da proposta. Os primeiros 90 dias decidem se a pessoa fica, aprende o trabalho e entrega o que a vaga prometeu. Este guia organiza o onboarding da proposta ao fim do terceiro mês e traz um checklist para copiar.

Equipe Contratta 9 min de leitura

Conteúdo informativo e geral, com base no texto da CLT e da Lei 13.709/2018 (LGPD). Não é aconselhamento jurídico: confirme prazos e obrigações com o jurídico ou a contabilidade da sua empresa.

Por que pensar em 90 dias

Muitas empresas chamam de integração uma manhã de apresentações: a história da empresa, as normas, o tour pelo prédio. Isso ajuda, mas não basta. Onboarding é o processo inteiro de adaptação, do aceite da proposta até a pessoa trabalhar com autonomia, e tem três objetivos:

  • Clareza: a pessoa sabe o que se espera dela, como será avaliada e a quem recorrer.
  • Relações: conhece a equipe, as áreas com quem vai trabalhar e tem alguém para perguntar sem constrangimento.
  • Produtividade: chega à primeira entrega autônoma com apoio, em vez de aprender por tentativa e erro.

O prazo de 90 dias também tem uma razão prática. Pela CLT, o contrato de experiência não pode passar de 90 dias (art. 445, parágrafo único). Até lá, a empresa precisa decidir se efetiva a pessoa, e a pessoa, se quer ficar. Um onboarding bem feito dá às duas partes informação para essa decisão.

Pré-boarding: da proposta ao primeiro dia

O período entre o aceite e o primeiro dia costuma ser esquecido, e é nele que a pessoa ainda pode receber outra proposta. Use esse tempo para resolver a burocracia e mostrar que a empresa está preparada:

  1. 1

    Confirme a proposta por escrito. Cargo, salário, benefícios, horário, local, data de início e quem será o gestor. Nada de condição combinada só por telefone.

  2. 2

    Colete os documentos de admissão. O registro do empregado é obrigatório (CLT, art. 41), assim como o exame médico admissional (CLT, art. 168). Peça a lista completa de uma vez, com prazo, e diga o que fazer em caso de dúvida.

  3. 3

    Prepare acessos e equipamento. E-mail, sistemas, crachá, uniforme e equipamento prontos antes do primeiro dia. Se o trabalho for remoto, envie o equipamento com antecedência.

  4. 4

    Escolha o padrinho ou a madrinha. Uma pessoa da equipe, que não seja o gestor, para ajudar no dia a dia. Avise-a antes e reserve tempo na agenda dela.

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    Mande a mensagem do gestor. Horário, local, com quem falar ao chegar e a agenda da primeira semana. Um contato direto do gestor antes do início faz diferença.

Admissão digital

Documentos em papel, entregues em mãos ou por e-mail, atrasam o início e espalham dados pessoais por caixas de entrada e pastas. Na admissão digital, a pessoa contratada recebe um link, preenche os dados e envia fotos ou PDFs dos documentos pelo celular. O RH confere item a item e devolve só o que precisa ser corrigido, com o motivo.

Documentos de admissão incluem dados pessoais e, às vezes, dados sensíveis, como o atestado de saúde ocupacional. Peça só o necessário para a admissão, restrinja quem pode ver e defina por quanto tempo guardar. Os cuidados estão em LGPD no recrutamento.

O primeiro dia

O primeiro dia deve deixar a pessoa orientada, não sobrecarregada. Um roteiro simples:

  • Recepção pelo gestor, e não só pelo RH ou pela portaria.
  • Estação de trabalho, acessos e equipamento funcionando desde a primeira hora.
  • Apresentação à equipe e almoço com o padrinho ou a madrinha.
  • Conversa de expectativas: o que se espera em 30, 60 e 90 dias e como será avaliada.
  • Uma tarefa pequena e real, que a pessoa consiga concluir no mesmo dia.
  • Uma conversa rápida no fim do dia: o que ficou de dúvida e o que falta resolver.

Evite empilhar oito horas de apresentações. Normas e treinamentos obrigatórios podem ser distribuídos pela primeira semana, intercalados com trabalho de verdade.

Semanas 1 a 4: aprender o trabalho

O primeiro mês é de aprendizado guiado. O gestor deve ter rascunhado antes do primeiro dia um plano de 90 dias com o que a pessoa vai aprender e entregar em cada fase. Ele parte das mesmas entregas que estavam na descrição da vaga: se o anúncio prometeu um trabalho e o primeiro mês mostra outro, a confiança cai logo.

Semana 1: contexto, pessoas e ferramentas

Treinamentos obrigatórios da função, inclusive os de segurança, conversas com as áreas com quem a pessoa vai trabalhar e as primeiras tarefas acompanhadas. O padrinho ou a madrinha responde às dúvidas do dia a dia.

Semanas 2 e 3: tarefas reais com acompanhamento

A pessoa assume tarefas do trabalho real, primeiro com alguém ao lado, depois sozinha com revisão. Uma conversa semanal curta com o gestor, de 15 a 30 minutos, corrige o rumo cedo.

Semana 4: a primeira entrega de ponta a ponta

Defina uma entrega completa, do começo ao fim, que a pessoa consiga fazer com autonomia até o fim do primeiro mês. Ela vira o primeiro marco do tempo até a produtividade, que você vai medir mais adiante.

Conversas de 30, 60 e 90 dias

Três conversas marcadas com antecedência, conduzidas pelo gestor e registradas, dão ritmo ao período:

MarcoFocoPerguntas úteis
30 diasAdaptação e clareza“O trabalho é o que você esperava?” “O que está faltando para você trabalhar melhor?” “Com quem você ainda não conseguiu falar?”
60 diasDesempenho e autonomia“O que você já faz sozinho?” “Onde ainda precisa de apoio?” Aqui o gestor diz com clareza o que está bom e o que precisa mudar.
90 diasDecisão e próximos passosEfetivação, metas para os próximos meses e o que a empresa pode melhorar no onboarding.

A regra mais importante: nenhuma surpresa no dia 90. Se há um problema de desempenho, ele precisa aparecer na conversa de 30 ou de 60 dias, com um plano. O contrato de experiência pode ser prorrogado uma única vez, desde que a soma não passe de 90 dias (CLT, arts. 445 e 451), então a decisão precisa estar pronta antes do vencimento.

Para manter a comparação justa, avalie todos pelas mesmas entregas e pela mesma escala, como na entrevista por competências.

O papel do gestor, do padrinho e do RH

QuemResponde porNão é papel dele
GestorPlano de 90 dias, primeira semana, retorno frequente, conversas de 30, 60 e 90 dias e a decisão de efetivação.Delegar o onboarding inteiro ao RH ou ao padrinho.
Padrinho ou madrinhaDúvidas do dia a dia, como as coisas funcionam na prática, apresentações informais.Avaliar o desempenho ou repassar impressões como se fosse avaliação.
RHAdmissão, documentos, treinamentos obrigatórios, prazos da experiência, pesquisas e indicadores.Substituir o gestor nas conversas de desempenho.

Escolha como padrinho alguém que conheça bem o trabalho, tenha paciência e queira o papel. Reduza um pouco a carga dele nas primeiras semanas: ajudar alguém novo também é trabalho.

Como medir o onboarding

  • Retenção em 90 dias: contratados de um período que seguem na empresa 90 dias depois, divididos pelos contratados daquele período. Separe saídas pedidas pela pessoa das decididas pela empresa. A fórmula está em indicadores de recrutamento.
  • Tempo até a produtividade: dias entre o primeiro dia e a primeira entrega autônoma definida no plano. Só funciona se a entrega for definida antes, para cada cargo.
  • Percepção de quem chegou: duas ou três perguntas fixas aos 30 e aos 90 dias, de 1 a 5, e um campo aberto. Por exemplo: “Você sabia o que se esperava de você?”
  • Checklist cumprido: quantos itens do pré-boarding estavam prontos no primeiro dia. Acesso que não funciona no primeiro dia é sinal de processo, não de pessoa.

Compare a sua operação com ela mesma ao longo dos meses. Saídas nas primeiras semanas podem apontar para a distância entre o que o processo seletivo prometeu e o trabalho real; saídas perto do dia 90, para a relação com a liderança ou para a adaptação à função.

Checklist de onboarding de 90 dias para copiar

Copie, ajuste os itens à função e compartilhe com o gestor e o padrinho no dia do aceite. Cada um sabe o que lhe cabe e o RH acompanha os prazos.

Checklist de onboarding de 90 dias
Checklist de onboarding de 90 dias
Pessoa: [nome]    Cargo: [cargo]    Gestor(a): [nome]    Padrinho/madrinha: [nome]
Aceite da proposta: [dd/mm]    Primeiro dia: [dd/mm]    Fim da experiência: [dd/mm]

Antes do primeiro dia (pré-boarding)
[ ] Proposta e condições confirmadas por escrito
[ ] Documentos de admissão enviados e conferidos
[ ] Exame admissional marcado e realizado
[ ] E-mail, sistemas e acessos criados
[ ] Equipamento, uniforme e crachá prontos (ou enviados, se remoto)
[ ] Padrinho/madrinha escolhido(a) e avisado(a)
[ ] Mensagem do gestor com horário, local e agenda da primeira semana
[ ] Plano de 90 dias rascunhado pelo gestor

Primeiro dia
[ ] Recepção pelo gestor
[ ] Estação de trabalho e acessos funcionando
[ ] Apresentação à equipe e almoço com o padrinho/madrinha
[ ] Conversa de expectativas: o que se espera em 30, 60 e 90 dias
[ ] Uma tarefa pequena e real para concluir
[ ] Conversa rápida no fim do dia: dúvidas e o que falta

Semanas 1 a 4
[ ] Normas, segurança e treinamentos obrigatórios da função
[ ] Conversas com as áreas com quem a pessoa vai trabalhar
[ ] Tarefas reais com acompanhamento, aumentando a autonomia
[ ] Uma conversa semanal com o gestor (15 a 30 min)
[ ] Primeira entrega de ponta a ponta definida: [qual]

Dia 30
[ ] Conversa de 30 dias registrada
[ ] Pesquisa curta com a pessoa: o que ajudou, o que faltou

Dia 60
[ ] Conversa de 60 dias registrada, com metas revistas
[ ] Pontos de atenção, se houver, ditos com clareza e com plano

Dia 90 (antes do fim da experiência)
[ ] Conversa de 90 dias e decisão sobre a efetivação
[ ] Metas para os próximos meses
[ ] Pesquisa de 90 dias e retorno ao RH sobre o processo

Um onboarding rápido começa com uma contratação que não se arrastou: veja como reduzir o tempo de contratação.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre onboarding e integração?

Muitas empresas usam integração para o primeiro dia ou a primeira semana: apresentação da empresa, normas e acessos. Onboarding é o processo inteiro de adaptação, do aceite da proposta até a pessoa trabalhar com autonomia, o que costuma levar semanas ou meses.

Quem é responsável pelo onboarding, o RH ou o gestor?

Os dois, com papéis diferentes. O RH desenha o processo, cuida da admissão e acompanha os prazos. O gestor define o que a pessoa vai entregar, dá retorno e conduz as conversas de 30, 60 e 90 dias. Sem o gestor, o onboarding vira só uma apresentação.

O onboarding de 90 dias tem relação com o contrato de experiência?

Na prática, sim. Pela CLT, o contrato de experiência não pode passar de 90 dias (art. 445, parágrafo único) e só pode ser prorrogado uma vez dentro desse limite (art. 451). As conversas de 30 e 60 dias dão base para a decisão sobre a efetivação antes do vencimento.

Como fazer onboarding de quem trabalha remoto?

Com mais estrutura, não menos. Envie o equipamento antes do primeiro dia, deixe a agenda da primeira semana marcada, combine conversas curtas e frequentes com o gestor e com o padrinho e registre por escrito o que em um escritório se aprende ouvindo a conversa ao lado.